Caros signatários do "manifesto por um novo rumo", Exmo. Dr Mário Soares,
O manifesto fez cumprir em mim a sua proposta última, pese embora de uma forma parcial:mobilizou-me, mais uma vez, para a construção de um novo paradigma!
Digo mais uma vez porque tenho colocado energia nesses infindáveis debates inerente à criação de novos paradigmas. Reconheço no manifesto http://www.movimentomanifesto.net/ os pilares de construção desses paradigmas e no http://www.oneperfectmovement.org/ uma das formas de cristalizar essa intervenção. É com orgulho que estou na gênese de ambos.
Neste sentido, e porque genuinamente acredito na bondade da proposta apresentada identifico porém diversas limitações:
- Direciona-se aos cidadãos de esquerda. Limita de forma grave o debate deixando de fora "metade" dos participantes. Desde logo os cidadãos de direita, os apartidarios ou os que perderam o sentido do que é ser de esquerda. Alternativa seria inaltecer poucos princípios que fundamentam o propósito social. Será mais fácil gerar os imprescindíveis consensos em torno destes.
- Centra o problema num conjunto de entidades externas, a UE, os Mercados os políticos o estado. Não são essas construções nossas? Não são esses problemas nossos? Se a culpa for externa descobriremos menos espaços de resolução.
- Aponta a austeridade como um mal. Um membro doente que pode ser amputado! Mas podemos nós gastar mais doque ganhamos?
- Por fim, não é apenas no debate político que as populações limitam a sua capacidade de actuar! Limitamos todos os aspectos da nossa vida social! Se não, porque falamos de trabalhadores quando deveríamos falar de empreendedores! Porque não são os milhares de trabalhadores empreendedores, tomando as redias da sua vida? Não seria esta a ultima fronteira da liberdade? Não é o pensamento contrario a nossa prisão! Esse coloca as nossa vidas nas mãos de terceiros.
Posto isto, proponho uma reformulação do manifesto e revisão de paradigma focando os seguintes princípios:
- Importância da participação de TODOS.
- Informar e simplificar a informação para que o debate esteja ao alcance de todos .
- Reconhecer a profunda crise de confiança nos sistemas ( Democrático, Económico, Social ).
- Construido a partir da nossa identidade.
- A participação é mais activa se as questões nos forem próximas.
- Somos mais eficazes a gerir em proximidade a partir de grupos pequenos.
- Estamos perante um problema de complexidade que deve ser abordado à luz dessa ciência.
- A responsabilidade é nossa e para mudarmos o País temos que mudar individualmente.
Estabelecidos os pilares da construção deste novo rumo, que sejam igualmente claras as propostas e que estas fervilhem num debate rico e gerador de consensos.
- Transparência como um valor pilar da ética e inerente á gestão da coisa publica.
- Que se desmantelem os silos de informação do estado.
- Que se unam as decisões macro vida micro de cada um.
- Que as decisões sejam feitas porquem as vive, consciente das suas implicações, direitos e obrigações subsequentes.
- Que se distribua verdadeiramente o direito á participação.
- Se estabeleçam as pontes entre a decisão política e a individual, numa participação verdadeiramente activa.
- Que estejamos todos ao serviço da nossa construção comum, evitando que alguns, se não todos, nos sirvamos sistematicamente do que é de todos como se fosse apenas nosso.
- Que a principal transformação é a individual, essa mudança é Fundamental à transformação.
- Que a justiça seja um patrimônio desta construção mas que a ética e a evolução ética sejam o garante da nossa co-evolução.
Restam por fim as propostas que podem ser concretas e de implementação quase imediata.
- Que os membros de cargos públicos assinem um compromisso ético forte escurtinavel e que elimine a frequentes linhas de suspeita dentro de um quadro legal mas fora de um quadro ético.
- Que todas as decisões publicas, orçamentos públicos, objetivos das instituições publicas, sua avaliação, entre outros elementos sejam verdadeiramente publico obedecendo as melhores praticas (open data)
- Que se estabeleça a ligação entre os impostos dos indivíduos e as prestações sociais e grandes obras publicas e constituição: exemplos pagamos todos x pela educação porque acreditamos na educação para todos, usufruímos p em escolas à distancia de w, com avaliação t e professores avaliados em o; pagamos todos x pela saúde porque acreditamos na saúde para todos, usufruímos p em instituições de saúde à distancia de w, com a avaliação de t e profissionais avaliados em o; ...pagamos z por uma rede de estradas, elétrica, água,....temos o dever de pagar e o direito de usufruir tal como constitucionalmente definido e a obrigação de gerirmos este equilíbrio.
- Que se garanta a verdadeira participação no debate estratégico nacional criando condições para a participação de cidadãos comuns, tal como é feito em formato piloto nos EUA, onde cidadãos são formados de forma isenta para ajudarem à decisão de grandes questões publicas.
- Que se estabeleçam as pontes entre a decisão política e a nossa vontade (tal como é conseguido em projetos como o vote na web)
- Que se altere a nossa perspectiva de trabalhadores conformados para empreendedores informados e apoiados pelas presentes instituições de ensino.
- Que as nossas mais nobres instituições de inciso sejam parte ativa desta transformação gerando o conhecimento indispensável a esta transformação
De certo que a estes pontos faltara maior e mais alargada reflexão, mas se os considerarem como um solido ponto de partida, então o manifesto subjacente será distinto, mais concensual e objetivo. Escreverei e subscreverei esse manifesto com a vossa ajuda, mas faço já o movimento que ele exige.
Paulo de Carvalho
